Mais resumo do que resenha dessa vez. Artigo de Marcelo Chiaretto publicado no livro Literatura e letramento: espaços, suportes e interfaces, de Aparecida Paiva (orgs) (Livro 4, para aqueles que, iguais a minha humilde pessoa, se recordam mais facilmente dos números do que do nome propriamente dito)
O autor abre seu texto com uma crítica as editoras e suas estratégias, que procuram textos "acessíveis, fáceis, que a todos agradariam". Antes de prosseguir em seus argumentos, ele faz uma pequena pausa para discutir o termo letramento literario - "procedimentos geradores e capacitadores da apropriacao do mundo da escrita literaria pelos leitores vistos em todos os níveis, seja aluno, seja professor, sejam sobretudo os indivíduos inseridos precariamente nos círculos de educação formal"(pag 235)
Voltando a vertente principal do artigo, o autor se pergunta: qual é a lógica do consumo na imprevisibilidade dos sujeitos? Ele afirma que existe uma necessidade das editoras de organizar o caos e tornar os sujeitos previsíveis e disciplinados.
Baseado em estudos de um grupo de pesquisa, em especial relacionados a biblioteca escolar, ele mostra um panorama das publicações. Livros que tem entre 100 e 120 páginas, textos predominantemente em diálogos, tramas novelescas sem densidade significativa, grande uso de desenhos e cores, temas sociais superficiais, finais sempre satisfatórios e felizes. Além disso, ele cita a marginalização das obras clássicas. que chegam inclusive a serem adaptadas, recicladas ou condensadas.(pag 237)
De um lado temos a banalização e de outro temos a livros que não promovem o letramento literário. Os livros são "fabricados por editoras de acordo com a moda dominante do momento"(pag 138). Basta observar os inúmeros livros sobre vampiros que chegaram as livrarias depois do sucesso de Crepúsculo.
Diversas vezes ele usa o termo literatura de entretenimento e o resto do texto se estende por essa crítica as editoras e suas estratégias.
Achei esse parágrafo bem esclarecedor, pois mostra a visão do autor sobre o que os livros devem promover:
"É fundamental dessa forma enaltecer os bons livros, ou melhor, os livros que corroboram uma noção de literatura como convite ao prazer, ao mesmo tempo que convite ao pensar consoante uma inter-relação texto/leitor que seja realmente produtiva, instrutiva e crítica. Da mesma maneira, é indispensável travar ou mesmo dificultar a propagação daqueles livros que circulam seguindo na corrente do marketing editorial, evidenciando a linguagem literária como algo de percepção instantânea, de gosto imediato e descartável, pragmática, independente do leitor, que torna claro o descompromisso com a literatura enquanto arte da palavra intercomunicativa." (pag 241)
Achei o texto interessante e mostra o claro jogo que as editoras promovem. Nos faz refletir sobre a produção literária e os livros que estão sendo produzidos.
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