Dia 27, eu acho, foi a avaliação da minha resenha. Fui a primeira da lista, pois não poderia ficar até o final da aula. Eu já havia percebido vários problemas com a bendita, mas não quis modificar nada, pois achei melhor encarar o desafia com a minha resenha original. O primeiro problema foi que a minha resenha provavelmente não seria publicada, por se tratar de resenha de artigo e pelo fato do artigo em si não ser muito acadêmico. Também comentaram sobre a escolha de algumas palavras. Não se deve recomendar explicitamente o texto, o que eu fiz muito bem feito, pois o artigo era muito legal e interessante. No final das contas foi bom, as pessoas foram simpáticas e educadas e a discussão foi muito favorável.
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segunda-feira, 4 de junho de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Resenha
Já estamos na metade de maio e eu aqui, sem publicar nada! Falta de vergonha na cara, porque estou cheia de coisas para contar, e vou contar aos poucos, para estender minhas noticias. Ainda em Londres, tive que escrever uma resenha para uma das minhas disciplinas ( a que trabalha com produção de textos acadêmicos), e a tarefa não foi nada fácil. Em primeiro lugar, porque eu estava em Londres, e tinha coisas muito mais interessantes para serem feitas do que escrever uma resenha. Em segundo lugar, porque um dos problemas mais graves dos alunos que entram para o ensino superior é a crença dos professores de que os alunos já chegam lá sabendo fazer resenha (até parece!) Com muita dificuldade a gente começa a entender o significado da coisa, mas saber produzir uma resenha é tarefa bem difícil. Em terceiro lugar, eu queria muito fazer a resenha de um artigo(qualquer um) de um livro recém publicado e que está esgotado (eu tenho cada ideia bacana...), depois de muito batalhar, consegui um emprestado.
Algumas semanas atrás tive aula com um professor muito legal da faculdade, e ele nos apresentou um livro que ele considera interessante para ajudar os alunos a começarem a produzir suas resenhas. Levei o livro comigo e dei uma olhada antes de produzir a minha resenha. Infelizmente, não dava tempo de ler o livro todo e fazer todas as atividades (ele é bem didático), então escolhi algumas partes mais interessantes e toquei o projeto. Dos artigos que li no livro, o que mais me chamou a atenção foi um do Ceccantini, que eu realmente adorei. Fiz a resenha e semana que vem deve ser a minha sabatinada em frente a toda a turma. Já reli a minha resenha e até já sei alguns lugares onde poderia ter escrito melhor, mas a questão básica é que eu não sei fazer resenha, e tive toda a boa intenção do mundo de fazer o meu melhor naquele momento. Aprendi algumas coisas, mas preciso pegar esse livro (bíblia) e ler com cuidado todas as dicas que eles me oferecem. Observei que as vezes as pessoas ficam com medo de usarem fórmulas quando o assunto são os gêneros textuais, como o medo de uma fórmula sobre resenhas. Acho a "receita" muito bem vinda e muito válida. Você pode aprender a cozinhar vendo sua mãe cozinhar por anos ou pode colocar a sua cara a tapa, pegar uma receita, e ver no que vai dar. É claro que no início você vai errar, mas depois que tiver dominado o mais importante, vai acertar as receitas e depois vai conseguir cozinhar sem precisar de receitas. O caminho inverso é muito mais demorado. Para quem quiser aprender uma "receita" de como se fazer resenhas, vai ai o nome do livro: Resenha, de Anna Raquel Machado, Eliane Lousada e Lília Abreu-Tardelli.
Se você está desesperado e precisa encontrar uma fórmula para fazer resenhas, talvez no próximo post.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
A leitura literária diante da visão moderna de progresso
Mais resumo do que resenha dessa vez. Artigo de Marcelo Chiaretto publicado no livro Literatura e letramento: espaços, suportes e interfaces, de Aparecida Paiva (orgs) (Livro 4, para aqueles que, iguais a minha humilde pessoa, se recordam mais facilmente dos números do que do nome propriamente dito)
O autor abre seu texto com uma crítica as editoras e suas estratégias, que procuram textos "acessíveis, fáceis, que a todos agradariam". Antes de prosseguir em seus argumentos, ele faz uma pequena pausa para discutir o termo letramento literario - "procedimentos geradores e capacitadores da apropriacao do mundo da escrita literaria pelos leitores vistos em todos os níveis, seja aluno, seja professor, sejam sobretudo os indivíduos inseridos precariamente nos círculos de educação formal"(pag 235)
Voltando a vertente principal do artigo, o autor se pergunta: qual é a lógica do consumo na imprevisibilidade dos sujeitos? Ele afirma que existe uma necessidade das editoras de organizar o caos e tornar os sujeitos previsíveis e disciplinados.
Baseado em estudos de um grupo de pesquisa, em especial relacionados a biblioteca escolar, ele mostra um panorama das publicações. Livros que tem entre 100 e 120 páginas, textos predominantemente em diálogos, tramas novelescas sem densidade significativa, grande uso de desenhos e cores, temas sociais superficiais, finais sempre satisfatórios e felizes. Além disso, ele cita a marginalização das obras clássicas. que chegam inclusive a serem adaptadas, recicladas ou condensadas.(pag 237)
De um lado temos a banalização e de outro temos a livros que não promovem o letramento literário. Os livros são "fabricados por editoras de acordo com a moda dominante do momento"(pag 138). Basta observar os inúmeros livros sobre vampiros que chegaram as livrarias depois do sucesso de Crepúsculo.
Diversas vezes ele usa o termo literatura de entretenimento e o resto do texto se estende por essa crítica as editoras e suas estratégias.
Achei esse parágrafo bem esclarecedor, pois mostra a visão do autor sobre o que os livros devem promover:
"É fundamental dessa forma enaltecer os bons livros, ou melhor, os livros que corroboram uma noção de literatura como convite ao prazer, ao mesmo tempo que convite ao pensar consoante uma inter-relação texto/leitor que seja realmente produtiva, instrutiva e crítica. Da mesma maneira, é indispensável travar ou mesmo dificultar a propagação daqueles livros que circulam seguindo na corrente do marketing editorial, evidenciando a linguagem literária como algo de percepção instantânea, de gosto imediato e descartável, pragmática, independente do leitor, que torna claro o descompromisso com a literatura enquanto arte da palavra intercomunicativa." (pag 241)
Achei o texto interessante e mostra o claro jogo que as editoras promovem. Nos faz refletir sobre a produção literária e os livros que estão sendo produzidos.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Letramento literário e livro didático da lingua portuguesa: "os amores difíceis" de Egon Rangel
Agora com o projeto verão começando a engrenar, pretendo colocar aqui no blog pequenas resenhas/resumos dos textos que estou lendo. O primeiro texto é de Egon Rangel e o título é o do post. Falta uma revisão da minha parte, mas basicamente é isso ai. Para encontrar o texto:
Aparecida Paiva (org) Literatura e Letramento: espaços, suportes e interfaces. Belo Horizonte, 2005 (preguiça de fazer bibliografia decente)
O objetivo do texto é discutir a relação entre leitura, literatura e o livro didático de português, sob o ponto de vista do letramento e do lugar PNLD.
O Autor participa de um projeto que auxilia os professores na Escolha qualificada e uso critico do livro didático. "Pretende indicar alguns percalços que é preciso evitar e outros tantos pré-requisitos básicos que devem ser preenchidos para que o LDP possa desempenhar adequadamente esse papel" (livro didático como mediador da literatura).
Egon Rangel começa seu texto afirmando que a leitura tem sido, de maneira geral, tratada de duas formas. Primeiro como um fenômeno cognitivo, pois são necessárias competências e habilidades para se tornar um leitor pleno. Outra maneira de se ver a leitura é como um fato histórico natural, ou seja, um resgate a certos autores, obras, gêneros e etc. A singularidade dos sujeitos não ocupa o centro da questão.
Em seguida o autor discute o termo letramento:
a) "o conjunto das formas pelas quais determinada cultura ao mesmo tempo da uma existencia social e se serve da escrita, atribuindo-lhe diferentes sentidos e diferentes funções"(pag 130)
b) " os valores - inclusive éticos e estéticos - em nome dos quais a escrita participa da vida social, assim como os diferentes graus de intensidade dessa participação"
c) "os padrões diferenciados de distribuição e circulação social da escrita"
d) " os diversos padrões e a intensidade variada com que a escrita participa do cotidiano e do imaginário dos sujeitos.
Nessa abordagem, é "necessário perceber a leitura como uma articulação entre as funções da escrita, valores a ela associados, formas de existência e de circulação social dos textos, efeito de sentido decorrentes dessas condições e implicações subjetivas para os sujeitos" (pag 131).
Ele lembra que para muitos brasileiros o livro didático tem sido quase que exclusivamente o único acesso a ao mundo da escrita e que, portanto, ele é indissociável das nossas concepções de leitura, de literatura e de cultura letrada. Ele afirma que os problemas metodológicos apontados por Marcuschi na condução das atividades de leitura são co-responsáveis pelas inadequações e deficiências de leitura apontadas por avaliações oficiais como SAEB e PISA, além das dificuldade pessoais.
Aponta um quadro da leitura atualmente: de um lado, temos os livros produzidos por um grupo restrito de pessoas, com uma pequena tiragem e uma pequena circulação. Do outro lado, lê-se em poucas ocasiões e com objetivos mal definidos, com a compreensão prejudicada pela falta de entendimento.
Ele também afirma que o trabalho com a diversidade de gêneros e tipos textuais diferentes prejudicou o texto literário.
A formação do leitor literário visa "formar um leitor para quem o texto é objeto de intenso desejo, para quem a leitura é parte indissociável do jeito de ser e de viver". (pag 138)
E a relação com a escola? "Soares e outros pesquisadores já diagnosticaram que a escola e o LDP têm significado um tropeço na apresentação do mundo da escrita á criança e um veto a fruição na leitura e à formação do gosto literário" (pag 138) (Texto da Magda Soares: A escolarização da leitura infantil e juvenil; In: A escolarização da leitura literária. Aracy Evangelista).
O autor afirma que o texto literário é indispensável para o ensino/aprendizagem da leitura e da escrita e que não deve ser vetado ou minimizada em virtude dos outros gêneros trabalhados na escola.
De acordo com o autor, é preciso que os LDP marquem no próprio livro a dimensão constitutiva dos cânones e das tradições literárias, cuidando para que a seleção dos textos não seja meramente didática, mas também com critérios relacionados à relevância e ao significado literário dos textos e de seus autores. "Iniciação programada aos cânones literários; é necessário estabelecer por onde começar, os caminhos a serem percorridos, as obras e autores imprescindíveis, as abordagens mais adequadas." (pag 140)
Considero essa ponderação do autor muito radical. A idéia de linearidade literária me parece tão incorreta. É importante que aconteça uma seleção dos textos a serem trabalhados na livro didático, e essa seleção deve ser criteriosa e atender aos objetivos propostos, mas fazer tudo isso para a leitura de cânones literários me parece um desperdício de tempo. As pessoas devem ler o que elas querem, o que lhes convêm, o que for de seu interesse, e não ler apenas porque é um clássico, ou por que o autor fulano de tal é muito conhecido. Isso pra mim é ser show off, querer se mostrar para os outros. Não quero desmerecer os clássicos, mas que isso se torne o objetivo central do letramento literário me parece uma pretenção enorme, uma desconsideração da individualidade dos sujeitos, como se todos fossem programados para gostarem das mesmas coisas, na mesma intensidade.
Em seguida o autor apresenta um pequeno resumo das considerações que Soares faz em seu texto já mencionado. Ela cita as inadequadas escolarizações da leitura literária. Recomendo ler o texto, que é muito bom.
É importante fazer um resgate da literatura. Se o texto é uma paródia, deve-se procurar o texto original, se faz referências a outros livros ou textos, é necessário que eles sejam mencionados ou explorados na sala de aula. Para o autor, apenas dessa maneira será possível formar um verdadeiro leitor.
O autor considera que uma parte essencial do trabalho é a escolha adequada do livro didático e o planejamento para o melhor uso possível do mesmo.
Apesar de uma defesa clara dos cânones, o autor destaca no final do seu texto que além do conhecimento de autores e obras consagradas também é preciso fazer referência a outros livros e estimular a sua leitura. Apenas dessa maneira será possível formar o gosto por ou o leitor que quer ler tudo de. Para alcançar esse objetivo é necessário que as bibliotecas escolares tenham um acervo grande e diversificado de obras, que as técnicas de catalogação e armazenagem sejam adequadas e que a escola promova a biblioteca como um lugar de prática cotidiana. Acrescentando-se uma opinião minha, é também necessário que os funcionários da biblioteca estejam realmente capacitados para trabalhar neste local e ajudar os alunos em suas demandas.
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